Arte

A Arte tem a potência de fazer despertar nas pessoas com deficiência visual a capacidade de reflexão crítica e ampliação da leitura de mundo.

O contato das pessoas com deficiência visual com as diversas linguagens possibilita sua emancipação e independência, assim como a criação de meios de aproximação a locais reservados à Arte, como museus, cinemas, teatros e demais espaços culturais que contribuam para a democratização do acesso à Arte. Além disso, para as pessoas que perderam a visão, as questões da expressão e do desenvolvimento de uma identidade pessoal, social e cultural igualmente são contempladas por meio das práticas artísticas.

As oficinas de arte proporcionam o conhecimento de técnicas com materiais e linguagem artística diversa, que são transformados em verdadeiras obras de arte. Elas têm como objetivo principal aguçar a criatividade, a expressão artística e a habilidade dos estudantes, tornando-os capazes de produzir objetos úteis ao dia a dia e de apreciação. Este trabalho possibilita o desenvolvimento de coordenação motora, noção espacial, concentração, socialização, amplia a sensibilidade, a percepção, a reflexão, a imaginação, a socialização, o psicomotor do estudante e até torna-se uma terapia. O trabalho artesanal também ajuda o estudante a aceitar a si mesmo, resultando em melhor autoconfiança e autoestima. A arte é um dos canais para que o indivíduo desenvolva seu potencial.

Conteúdos trabalhados

  • Visita a Museus e espaços históricos da cidade, trabalhando os aspectos culturais regionais;
  • Oficinas para produções visuais e exposições artísticas de obras desenvolvidas dentro dos Centros de Atendimento Educacionais Especializados (CAEEs);
  • Oficinas de escultura, pintura, desenho;
  • Releituras de obras, visando a aproximação das pessoas com deficiência visual com a diversidade artístico-cultural;
  • Visitas a Teatros e encontros com companhias teatrais;
  • Conhecimento sobre a História do Teatro e seus elementos, buscando a democratização das práticas teatrais;
  • Oficinas de expressão corporal individuais e em grupos, realizadas a partir de – Jogos Teatrais, Improvisação e Jogos Dramáticos, experimentando o corpo e o jogo no espaço na elaboração de ações cênicas;
  • Oficinas de mediação teatral e formação de plateia;
  • Oficinas de expressão vocal, estimulando a potência da articulação e dicção das palavras;
  • Rodas de Leituras Dramáticas;
  • Oficinas de cenografia e figurino;
  • Oficinas de automaquiagem e maquiagem artística;
  • Oficinas corporais, com foco no ritmo e diferentes estilos musicais;
  • Participação em manifestações artístico-culturais na dança e festas populares e apresentações culturais regionais;
  • Participação em apresentações artístico-culturais;
  • Distinguir tempo e ritmo musical;
  • Exercícios vocais para canto-coral;
  • Diferenciação e reconhecimento de estilos musicais;
  • Orientação a produtores culturais e profissionais de espaços artístico culturais e de lazer a atender adequadamente o público com deficiência visual.
  • Entre outros.

Eixo Corpo e Movimento

A consciência corporal é a base para a autonomia em todas as etapas da vida. Enquanto na infância e adolescência as práticas lúdicas e jogos teatrais estruturam o esquema corporal e a orientação espacial, para o adulto e o idoso elas promovem a manutenção da independência funcional, a segurança no deslocamento e o senso de coletividade.

  • Dança Circular (foco em idosos e coletividade);
  • Dança de Salão como estratégias de percepção espacial e socialização;
  • Oficinas de Dança e Movimento;
  • Visita a espaços históricos e culturais;
  • Conhecimento sobre a História da Arte e seus elementos;
  • Oficinas de expressão corporal individuais e em grupos, realizadas a partir de Jogos Teatrais, Improvisação e Jogos Dramáticos;
  • Oficinas de expressão vocal, estimulando a potência da articulação e dicção das palavras;
  • Tempo e ritmo musical;
  • Exercícios vocais para canto-coral.

Eixo Audiovisual

Ao envolver o público na produção de curtas-metragens e discussões sobre acessibilidade, as práticas artísticas desenvolvidas nos CAEE’s, validam a perspectiva crítica desses sujeitos sobre o mundo visual. Isso transforma a deficiência de uma "limitação" em um "lugar de fala" e criação político-social.

  • Produção de curtas-metragens;
  • Discussão e desenvolvimento prático de acessibilidade cultural;
  • Cineclube com obras acessíveis.

Expressão Estética, Artes Manuais e Economia Criativa

Esse eixo compreende as práticas de modelagem, cerâmica e trabalhos manuais não apenas como artesanato, mas como um campo fundamental de desenvolvimento neurocognitivo, autonomia e emancipação. Para a pessoa cega ou com baixa visão, o fazer manual atua como um processo de alfabetização sensorial e estética, onde o tato deixa de ser apenas um sentido compensatório para se tornar uma ferramenta de mapeamento espacial. No âmbito pedagógico e terapêutico, o manuseio da argila, de massas sintéticas e do torno é fundamental para o refinamento da percepção tátil-cinestésica e da coordenação motora fina, estimulando a neuroplasticidade por meio de experiências criativas complexas.

  • Modelagem com massas sintéticas e cerâmica, incluindo modelagem manual e em torno;
  • Desenvolvimento da percepção tátil e noção de volume e tridimensionalidade;
  • Oficinas de escultura, pintura e desenho;
  • Releituras de obras e aproximação com a diversidade artístico-cultural;
  • Produções artísticas, exposições e participação em atividades culturais desenvolvidas nos CAEEs;
  • Produção artesanal de sabonetes, incensos naturais, sachês aromáticos, aromatizadores de ambiente e sais de banho;
  • Criação de objetos decorativos táteis e desenvolvimento de embalagens acessíveis;
  • Desenvolvimento de habilidades relacionadas ao artesanato, empreendedorismo e participação em feiras e exposições culturais.

Eixo Gestão e Produção

Este eixo é o ápice da emancipação proposta. Ao capacitar os estudantes na escrita de projetos e produção cultural, o Centro fomenta a geração de renda e a economia criativa, permitindo que os estudantes visualizem sua prática como um projeto de vida sustentável e profissionalizado, contribuindo ainda, para uma participação coletiva e efetiva por parte dos grupos.

  • Escrita de projetos e formação em produção cultural para participação em editais de mobilidade e economia criativa;
  • Oficinas de mediação teatral e formação de plateia;
  • Oficinas para contato com elementos artístico-culturais (cenário, figurino, maquiagem, produção).